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E quando o descanso não chega?

E quando o descanso não chega?

We say hello to mental health.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, “os problemas da saúde mental tornaram-se a principal causa de absentismo laboral e de reforma antecipada em toda a Europa” e a falta de saúde mental no local de trabalho tem consequências graves para a pessoa, para a empresa e para a sociedade. Em 2019, o Burnout foi considerado um fenómeno ocupacional pela Organização Mundial de Saúde, que o define como uma síndrome resultante de stress ocupacional crónico com três dimensões: (a) exaustão e reduzidos níveis de energia, (b) sentimentos negativos ou mesmo cinismo relacionado com o emprego ou função, e (c) redução de eficácia profissional.

Que é tema sério, já sabemos. O que nem todos sabemos é como não deixarmos exceder os limites do razoável no que respeita a nossa saúde mental. O descanso é, nas suas várias dimensões, um espaço privilegiado de recuperação da pessoa como um todo (espreita o artigo “Descanso entre Férias“), e se estes momentos não forem suficientes em volume nem em qualidade, estamos num espaço crítico para a nossa produtividade, para no nosso bem-estar e para a nossa saúde.

É aqui que as organizações podem e devem contribuir ativamente. Uma forma simples de procurar fazê-lo é acompanhar os diferentes tipos de descanso com práticas de gestão ajustadas. Mas importa aqui deixar um disclaimer: não há iniciativas de bem-estar que sejam suficientes para a saúde mental das vossas pessoas. Não chega. Se continuam com dúvidas… cliquem no vídeo abaixo de Ali Woods na rede social “da moda”:

A tendência pode ser a de assumir que algumas iniciativas de bem-estar são suficientes – entre fruta no escritório, o dia de massagens, umas parcerias com ginásios e psicoterapia acessível. Outras ideias surgem e, para aumentar awareness sobre o tema, criam-se workshops e formações sobre saúde mental, burnout e/ou gestão de stress. Todas estas iniciativas são importantes e têm o seu espaço ao contribuírem para uma melhoria na perceção de bem-estar dos/as colaboradores/as. Mas, tal como cultura não se baseia em “pizza parties“, também a saúde mental não sobrevive apenas a fruta e workshops. Não me interpretem mal – também nós fizemos este caminho mais acessível e que muito faz pela tomada de consciência sobre saúde mental e os seus efeitos (relembra a semana da saúde mental na Wellow™ Group em Outubro 2021).

Mas sabemos que de awareness sobre saúde mental está o mercado cheio e não é suficiente. Importa ir mais longe, à(s) causa(s)-raiz do que provoca o desequilíbrio na qualidade de vida cognitiva ou emocional e apoiar a sua mitigação ou resolução. Um estudo de 2021 feito pela Gallup (disponível aqui) refere 5 principais causas de burnout – tratamento injusto no local de trabalho, workload impossivel de gerir, comunicação pouco clara da liderança, falta de apoio pela liderança e pressão temporal para realizar o seu trabalho – e, pasme-se! nenhuma sequer se começa a resolver com práticas de bem-estar. Precisamos ser sérios na abordagem ao tema, equivalendo ao grau de seriedade que o tema merece!

Na Wellow™ Group, vivemos este tema bem de perto e no último ano, procuramos agir em 3 dimensões que, acreditamos, são as mais estruturantes do verdadeiro bem-estar das nossas equipas:

Liderança ao serviço (da saúde mental) das equipas

São inúmeros os exemplos de chavões da gestão de pessoas que remetem para o impacto (positivo ou negativo) da liderança no bem-estar das pessoas nas organizações. Simon Sinek diz que “the true price of leadership is the willingness to place the needs of others above your own” em Leaders eat Last e na saúde mental das nossas equipas o nosso papel é fundamental. Ser claro na mensagem, conhecer as pessoas com quem trabalhamos e o que as motiva ou desanima, saber reconhecer os méritos e apoiar no ultrapassar das fragilidades são requisitos incontornáveis no descritivo funcional de um líder. Da mesma forma, identificar e agir perante os sinais de cansaço, de apatia ou mesmo de descompromisso são imperativos para que possamos proteger a nossa equipa e a sua performance!

Data is everything

“Sem dados, és apenas uma pessoa com uma opinião” é capaz de ser a ideia de W. Edwards Demming que mais aprecio e que se aplica na maioria dos desafios de gestão de pessoas e de talento. No caso da saúde mental, um tema tantas vezes desvalorizado por ser mais subjetivo e pouco tangível, ainda é mais relevante. A boa noticia é que provavelmente a informação já é recolhida e está disponível para ser analisada! Estudos sobre clima organizacional, avaliação de desempenho, feedbacks estruturados e outras ferramentas que utilizem podem ser recuperadas ou melhoradas para que incluam parâmetros importantes para a monitorização de aspetos como condições de trabalho, sobrecarga, desenho funcional, relacionamento com pares e liderança, entre outros. Com base na informação recolhida, os planos de implementação devem passar a incluir ações direcionadas para a saúde mental das equipas.

Exigência + Autonomia = Responsabilização

A pressão de fazer mais e melhor acompanha muitas organizações, num mercado cada vez mais conectado e em constante evolução. Esta pressão pode ser motor de inovação, de desenvolvimento e da criação de valor mas, quando excessiva na fonte ou percebida como tal pela pessoa, traz resultados catastróficos. Uma forma de minimizar este impacto negativo é a prática assente na accountability ou responsabilização. Assim, a exigência e rigor necessários ao desempenho de determinada função, acompanham a autonomia e a competência para responder ao desafio proposto, com as equipas a sentirem-me capazes de assumir a responsabilidade pelo projeto, tarefa ou decisão. Para tal, a organização precisa de descritivos funcionais claros e bem desenhados, planos de formação e desenvolvimento à medida das reais necessidades, metodologias de monitorização assentes em factos observáveis e uma cultura de feedback/feedforward enraizada que não alimente os extremos da equação. Afinal, excesso de autonomia sem exigência ou excesso de exigência sem autonomia são cenários disfuncionais em que ninguém fica a ganhar. No equilíbrio da moeda, encontra-se a zona perfeita de stress, que nos permite evoluir sem esgotar a nossa performance ou nos fazer duvidar do que somos capazes de entregar.

Resumindo, a saúde mental de cada um de nós está, em primeira instância, nas nossas mãos. Às empresas sobra o desafio de agir com coerência sobre estas práticas e assumir seriamente o compromisso de fazer melhor pelas suas pessoas!

Saúde mental Wellow Group!

Por Rita Duarte | Chief People’s Officer Wellow™ Group